É preciso ter um corpo ‘bombado’ e a cara fechada para ser policial? Claro que não. Aliás, nas polícias investigativas – Civil e Federal -, quanto mais discreto, melhor. Confira o caso abaixo e entenda o porquê.
O cenário lembra mais o corredor de um presídio feminino bem rudimentar, mas resolveram denominá-lo de “clínica de repouso para mulheres idosas e com problemas psiquiátricos”. As denúncias chegaram à Polícia Civil, que investigou e prendeu o diretor do estabelecimento. O flagrante aconteceu nessa quinta-feira, 12 de agosto, no município de Crato (CE).
O homem preso é investigado por abuso sexual, maus tratos, cárcere privado e apropriação indevida de benefícios sociais das vítimas. Ele negou ter cometido todos esses crimes, porém admitiu que deixava as mulheres trancadas à noite nas celas “por medida de segurança”, segundo informou a Polícia Civil cearense.
As investigações, no entanto, revelam que as mulheres permaneciam o tempo todo nos cubículos. A PCCE continua investigando o caso, para confirmar ou não a existência de todos os crimes denunciados.
Como descobriram?
Já dizia um comercial antigo: “Existem mil maneiras de preparar Neston. Invente uma!” A Investigação Criminal é uma atividade tão fascinante que, no geral, não dá brechas para sensações de ‘rotina’. A cada novo dia, um novo crime desperta várias maneiras de ser investigado.
No caso em tela, a mais óbvia das alternativas já compensaria os esforços. Uma policial feminina com seus 50 anos de idade poderia ir até a clínica (sem se identificar, claro), apresentando-se como uma filha ‘exausta’ que deseja internar sua mãe naquele hospício-cadeia.
Uma vez ‘cliente’ do lugar, essa agente disfarçada teria visão privilegiada daquilo que a polícia estava investigando.
Existem, claro, outras formas de a polícia agir. Mas o objetivo aqui é desmitificar a ideia de que todo policial tem que ter músculos à mostra e cara de malvado. Na verdade, na maior parte do expediente de uma polícia investigativa, o trabalho de investigação precisa ser feito da forma mais discreta possível.
Pergunta para o concurseiro
Seria essa a razão de as polícias civis não estabelecerem ‘limite de idade’ nos concursos públicos?