A morte de três assaltantes em confronto com a polícia e uma pergunta provocante: “O que é ‘excesso’ nessas horas?”

Três assaltantes morreram na noite desse domingo, 27 de junho, em Campina Grande (PB), durante um confronto com a Polícia Civil. Eles já estavam sendo investigados há mais de quatro meses e, portanto, os policiais sabiam muito bem com quem estavam lidando.

Sabiam, por exemplo, que dentro daquele carro a ser abordado na desvantagem visual da noite e em plena rodovia federal [com caminho aberto para fuga] havia armas. E a possibilidade real de alguém sair ferido/morto.

Entre dúvidas e certezas, surge o primeiro estampido. É caminho aberto para o que se chama de ‘saraivada de bala’. Ou ‘excesso’, para quem entende dessa forma.

Mas o que é ‘excesso’ nessas horas? Bom. Na linguagem/interpretação de algumas pessoas e/ou segmentos da sociedade, “excesso policial” em ocorrências como essa se mede pela quantidade de furos que se vê no alvo. Quanto mais furo, mais excesso.

É como se, nessas horas – na iminência de abordar assaltantes de banco com armas em mãos –, o policial [ser humano] tivesse a capacidade de contar quantos tiros estão vindo dos bandidos, para, somente aí, poder apertar o seu gatilho no mesmo ritmo.

É como se o projetil a sair da arma dos criminosos viesse em câmera lenta, com cronometragem contando 10 segundos de forma regressiva, de modo que o policial possa ouvir o barulho do tiro e “se esquivar” da bolinha de aço que vem tartarugando em linha reta.

“Poooooow!……..[10 segundos]…………Pooooow!………..[10 segundos]……….Poooooow!……….”                      

É assim que muita gente pensa ser o cotidiano policial no Brasil.

Quantos furos?

Na vida real, é muito difícil aferir o que é ou não ‘excesso’. Nessas horas, um único disparo soa como um aviso de que, “se você não reagir logo e de forma eficaz, você irá morrer”. E para quem está com medo da morte, “reação eficaz” significa dizer que “só pare de atirar quando tiver a certeza de que o inimigo não poderá mais reagir”.

Pergunta-se: quantos furos podem delimitar essa sensação da morte? Como é que se equilibra Psicologia, Sociologia, Filosofia e Matemática em circunstâncias como essa? Quanto tempo você acha que um projetil leva para sair de uma arma e chegar à cabeça de um policial?

Se alguém achou que o texto é “instigação a excessos” errou feio. Isso aqui é puro cotidiano policial.

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